domingo, 15 de maio de 2016

Hoje acordei

Hoje acordei sabendo tudo que tá rolando lá fora
E pouco menos de mim aqui dentro
Me dei conta de alguns maus hábitos
Algumas faltas de sorriso e sinceridade
Que o tempo se encarregou de esconder

Hoje acordei com uma vontade gigante de ser eu de novo e não deixar isso morrer
Hoje deu saudade das fotografias que tirei onde não sorri
Sorriria enfim
Só pra não esquecer
Ou lembrar do que tem aqui dentro de mim e nunca deixou de ter
Amor.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Tchau.

É bem assim
Tinha de ser assim
Afinal
Um fim com ponto final
Depois de tantas letras
Tantos versos tortos 
Me dispeço de um sentimento temeroso
De um desastre ocorrido há muito

Fez bem falar
Fez bem olhar pra trás
Precisava me livrar da dor que me deixou
Precisava testemunhar meus medos indo embora

E se de todas as dores que tenho 
A que fez doer em mim doer menos 
Já ficarei feliz
Poderei voar
Não terei mais meus pés no chão
De todas as dores que tenho 
Se essa for embora saberei então que estou viva
Me livrarei do cinza que me proporcionou
Finalmente me vistirei de amarelo
Sentarei em mesas redondas 
Com pratos quadrados
Quadrados não, pra não me fazer lembrar de ti

Fez bem falar 
Fez bem começar a digerir tudo aquilo
Sua ausência há muito não me faz falta
O que faz falta sou eu de antes disso tudo

O que restou após aqueles anos foi uma confiança quebrada
Um rosto triste, um coração despedaçado, 
Chances inexploradas, sonhos corrompidos 
Um trauma nas veias do meu cérebro
Quantas chances desperdiçadas
Quantos choros sem necessidade
Quantas horas perdidas, finais de semana
Trabalho e amores
Você me fez perder a minha ingenuidade
E isso não tem retorno 
Só espero poder continuar
Sem a sua influência
Sem qualquer resquício de você na minha vida

Tchau.  


domingo, 25 de outubro de 2015

O que eu chorava

O que eu chorava na semana passada e você não entendeu
É o mesmo que falo hoje e você continua sem entender
Você não me ouve e não vê
Te ouço tão distante que parece que morreu

Todas aquelas malas lá fora
Pensei em desfazê-las
Mas afinal há mais de uma hora
Que não vejo sinais pelas tuas veias

Minhas lágrimas vão guiá-lo até um caminho bom
Onde eu não esteja e você possa voltar a respirar
Onde haja sombra e uma boa música no tom
Onde meu amor não exista e não possa te irritar

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Um coração

E como pode um coração suportar tamanho peso de não saber se existe ou não? 
Como pode existir agora e aqui, mas adiante e lá não?
Corações trocados, usurpados, reunidos em prol de uma atitude social
Como podem corações ganharem vidas diante de nossos olhos e morrer depois?

Não sei do que se trata o coração 
Se pra ele mesmo não há folga nem vício
Gostaria de entendê-lo 
Quem sabe assim um dia poderia ter de volta o meu
Que um dia se foi sorrateiramente numa noite como essa
Dizendo que voltaria e nunca mais voltou

Histórias de corações assim com certeza conhecemos muitas
Há outras ainda muito mais elaboradas e coloridas
Outras nem tanto, em papel braco com um pouco de giz preto

Quando perguntarem do seu coração 
Sorria. Ninguém merece saber do seu coração
Se não você mesmo. 

domingo, 12 de abril de 2015

Sem resgate

Existe algo na tristeza que é muito familiar
Aquele aperto no peito
Aquele segurar os lábios serrados
Sem risos nem acenos

Há algo de triste na tristeza que teimo em sentir
Mesmo quando não deveria
E quando o dia se faz mais bonito que triste

Tem algo de particular nessa sua voz
Nesse seu entender
Nesse meu pensar

Há qualquer coisa de loucura
De sensatez e estado inevitável
Em muitos anos a tristeza de ser assim
Foi a que me deu alegria pra levantar logo cedo

E afinal é o que me dá forças para seguir em frente
Viver, sorrir, acordar, dormir, esquecer e lembrar
Porque sou parte dela e ela de mim
Não há quem resgate uma da outra 

quarta-feira, 11 de março de 2015

O amor existe

E ainda que te digam injúrias 
Que te ameacem e te suguem 
Ainda que digam contra ti
Que te joguem no chão com palavras 
Ainda que se sinta injustiçado
Abalado, amaldiçoado 
Ainda assim, havendo amor 
Será possível resistir 
E o amor existe

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Meio

Meio jeito
Meio
Jeito nenhum
Nenhum
Jeito

De qualquer jeito
Plantar um jeito
Planar um qualquer
Planear um qualquer
De

Daquele jeito
Onde nada se perde
Mas tudo se transforma
Uma metamorfose
Que gira em torno do eixo
De qualquer jeito
Meio planar
Bem no meio

O que fere mais

Como se houvesse distâncias grandes ou pequenas
O que resta no fim são as distâncias
Incapazes de serem reduzidas
Por causa de um punhado te terra
Quando não, por água

Por vendavais, terremotos ou vulcões
Gosto de pensar nos vulcões como força de vida que espirra da terra
Gosto de pensar em terremotos estralando as estruturas 
Mas nada se compara a distância. Nada. 


Quadrado

Para o que houver entre eu e você
Os dia se dirão maiores
As noites permanecerão intactas
Até você aparecer

De nós o mundo precisa saber
Doses diárias de amor
Incessantemente ilimitadas
Conduzidas ao coração em pequenas gotas

Numa veia de imersão total
Naquilo que você chama de quarto
Um mundo a parte visto de todos os ângulos
Não encontro você nem eu

E como pode haver espaço tão pequeno
Que não nos caiba
Que não nos ache
Sabe-se lá como pode


Atentado

Tentando te encontrar me joguei do alto do despenhadeiro
Cometi erros imensuráveis e aboli o amor do meu cartaz
Já não tenho tempo pro mundo ou pra você
O que não me importa se sorri ou se vai chover

Entre um passar e outro
Entre e beba, coma tudo que quiser
Dos dias em que estive aqui não senti vontade de estar
Afinal nada do que parece ser é e tudo que destinou para si
Consome-se dia e noite como se não houvesse fim

Das longas traduções do seu caderno
Meados de julho te encontro de janeiro
Terei prazer em lhe mostrar meus versos
Escritos com o mais puro sangue da raça

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Já te ouço

Vem com toda a força que move montanhas
Vem com aquele olhar tranquilo e marejado
Vem com um doce aroma na boca
Com um doce abraço no peito
Destroça minhas tristezas em pedaços tão pequenos
Que nem mesmo consigo pegar
E se não os pego, não os tenho

Vem. Faz de tudo um bom motivo
Acorda minha alma
Me liga em você
Por um instrumento que apenas quem crê vê
Faz da minha vida teu espaço
Vem e grita pra quem quiser ouvir
Vem ao meu encontro porque eu já te ouço chegar

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Permita-se

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei." Mateus 11:28

E nas manhãs que acordar preocupado, nas noites que dormir frustrado
Não assim o faça
Mas coloque todo peso fora de ti
Coloque nas mãos do Pai
Só ele é capaz de te aliviar verdadedeiramente, de solucionar o que parece insolucionável
E se não bastasse ele ainda vai te amar
E por te amarvai interferir na sua vida
Se assim você quiser.

Se assim você deixar.

sábado, 26 de abril de 2014

Belo dia




E um belo dia tudo se fez novo.
Meu acordar, a ordem das coisas, as prioridades, o comer, o beber, a noite, o pensar, o dizer, o olhar, o escrever, o assistir, o ouvir.

O paladar mudou.

Aquele silêncio que às vezes vinha, é substituído por uma linda música que diz "Se chorar, chora nos pés do Senhor".
E as lágrimas que caem agora são outras. A paz se faz presente de uma maneira como nunca antes, quando eu o busco.

O amor me mudou.

Tenho uma nova casa, um novo chão, um novo guia, tudo se fez novo. O meu amor fala comigo e é tão bom saber que Ele está aqui, me ouvindo, me cuidando, preparando meu caminho e das pessoas que eu amo.

Tudo mudou.

Com Ele é tão mais fácil. Juro. Estando com Ele tenho que preciso e ainda mais do que peço. Porque os planos Dele são mais altos que os meus e assim como um pai tem que cuidar do seu filho, ele cuida de mim e ainda melhor.

Mudou tudo.

Basta buscá-lo e encontrará. Ele não se esconde da gente. A gente se esconde Dele e mesmo assim quando procuramos por Ele - e esteja certo que vai procurá-lo um dia, se Deus quiser - Ele não nos julgará, estenderá suas mãos e então você entenderá que está diante de Deus.

Ainda estou em obra. E a obra é Dele.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Um mundo novo

E de repente a tristeza se foi
Parei de escrever e achei que seria o fim das minhas rimas mal rimadas
E até desleixadas por vezes
Mas sabe que encontrei algo diferente de lá pra cá?
Uma alegria infinita.
Descobri que tristeza tem fim sim
Tom Jobim estava errado
Para nossa alegria
E quanta coisa tenho descoberto por esses dias
Quantas notícias boas tenho ouvido
E quantas palavras lindas tenho lido
De uns dias pra cá meu mundo mudou
Meu mundo que agora passa por uma revolução tremenda para melhor atendê-lo diz:
Estou tão ansiosa pra te mostrar tudo que vejo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Um dia normal

Hoje, depois de dois anos alguns sentimentos já foram embora
O de culpa é o principal deles
Não que ele tenha ido totalmente
Ainda às vezes penso em como poderia ter sido
Se algumas coisas fossem diferentes

Hoje a tristeza não vem mais tão pesada
Mas a saudade brota junto com as lágrimas inevitavelmente
Penso em você mais como um ser de luz que me ajudou muito
Mas ainda não perdi a mania de conjugar os verbos no presente
Tenho que me forçar a conjugar no passado
E isso não é tão fácil quanto parece

Não preciso fechar os meus olhos pra lembrar dos seus selados
A última visão que tive, meu último momento do seu lado
Pode ser que exista dor maior, mas ainda não me vejo sentindo-a
Não que eu queira. E não quero pra seu ninguém
Sei que o correto é assimilar e eu estou lutando pra isso. Acredite.

Hoje quase não tive tempo pra chorar
Felizmente pessoas maravilhosas que conheci pela vida ocuparam meu tempo
Me confiaram tarefas, me solicitaram pra resolver problemas
Hoje não foi um daqueles dias depressivos ou de luto
Hoje foi um dia normal, como todos os outros.
Senti sua falta como todos os dias
E chorei um pouco como todos os dias que senti sua falta.


Ass: Ivinho/Bugrinha/Porcaria

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Desagua

E por uma ilusão ou um tempo perdido
Uma noite acordada com a luz da rua
Eu parei pra pensar em nós dois
Naquele sentimento que me dominava
Me fazia correr, andar, sentar e rolar
Quem sabe um dia mereça um novo nome na boca
Um coração que bata no mesmo ritmo
Que me acalme sem julgamento
Que esteja por perto sem que isso pareça um favor
Um amor para amar
Uma construção, um caminho
É tudo que a gente que é assim mais amor quer
Um dia tenho fé que tudo isso acaba
Desagua no mar ou eu decido acabar


domingo, 13 de outubro de 2013

saudade

Ainda me resta uma dúvida.
Foi você quem partiu ou eu que deixei de existir um pouco com saudade sua?

Ainda me resta uma dívida.
É com você. Com a nossa vida. Com tudo aquilo que te disse e todo o resto que não consegui dizer.

Ainda me resta uma dádiva.
A de poder ficar nesse mundo pensando em como poderia ser se estivesse aqui comigo.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Aqui

O que procuro está aqui
Acolá
Está em todo lugar
Não está
Mas é
Nasce no ser

E desabrocha

Diante de um olhar
Assim mais maduro
Coerente
Com o tempo de ouro
... Da gente
Quando olha pra dentro

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Minha certeza


Certezas
Certas de tristezas
Só pra rimar
Não é de certezas que vive o mundo

O que te move são as mudanças
Todas essas boas e ruins que te fizeram caminhar
Decidir por seguir ou ir pela direita ou parar
Não acredito na certeza

Ela nunca me trouxe nada de bom
Lembra de quando te conheci?
Não tinha certeza sobre tudo aquilo
Nem se voltaríamos juntos na mesma carona

Hoje não tenho certeza do que vou encontrar no próximo final de semana
Nem se ao longo do dia você vai mudar de ideia e me ligar
Se vai voltar, se vai aparecer aqui com um abraço carinhoso
Ou se vai deixar tudo como está

A certeza que tenho e é por isso que não gosto dela
É que pelos próximos tempos o que eu sei que vou encontrar todos os dias
Vai ser essa saudade de você

Só não sei se vai ser assim que acordar
Durante o almoço, quando tiver voltando pra casa
Quando acordar de madrugada assustada
Ou todas as alternativas anteriores. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Extensão

Eu realmente tinha muito a dizer
Se não fosse esse silêncio que paira
Querendo negar tudo que vim contar

Pensei em apenas sumir pela porta da cozinha
Correr até chegar em local seguro onde não me conhecessem
E por consequência não me julgassem

Achei melhor fazer diferente de como sempre fiz
Não consegui te encarar por completo
Nem te falar tudo como tinha planejado

Meu coração se despedaçou na sua frente
E não tive tempo de juntá-lo, nem jeito
Afinal o mundo não pára. Não é?

Não te contei sobre meus planos
Mas também, pra que contar?
E estender essa dor desnecessária



domingo, 14 de abril de 2013

Aos poucos

Vou me afastar de você
Quando perceber já terei ido
Serei discreta como nunca fui
Diminuirei o tempo contigo
Os beijos mais demorados
Colocarei essa paixão que sinto
Num recipiente com líquido
Pra que ela se afogue e deixe de existir
Tecerei pensamentos sobre você
Que me façam desistir
Evitarei que isso tudo aconteça
É triste demais pensar que não é você
Que vou sofrer de novo e de novo e de novo
E que mais uma vez o destino me quis de cobaia
É triste ter que viver assim a espera
Espera de um beijo, de uma ligação
De um olhar ou de uma decisão
Ficamos assim

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Uma arte


Desistir é uma arte
Quando apenas você parece se importar
Enquanto as luzes ainda estão acesas

É um fluxo de vai e vem de certezas
Desprovido de uma decisão concreta
De um querer inevitável

Por quanto me concede a chance
Nega por outro lado a vontade
De um novo amor reluzente

Hei de abandonar teus olhos um dia
Sem dor alguma, como se não me importasse
Desistir é uma arte. A arte da representação.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Pra dizer como se sentiu

Desse dia em diante ela resolveu esquecê-lo
Colocou aquele vestido azul e saiu de casa
Antes se perfumou, pegou os óculos e as chaves
De casa e do carro

Parou onde ninguém pararia
Conversou com pessoas que não conversaria normalmente
E dirigiu por aquele caminho mais distante
Só pra não passar perto

Só pra não ter porquê resistir
Ela preferiu ficar um pouco afastada na festa
Pegou sua bebida e ficou naquele canto em que nunca ficou
Disse alí algumas poucas palavras e foi embora

Ela caminhou, vagou, viajou e continuou alí
Tinha os olhos inchados e frio nas pernas
Numa das mãos havia um copo ainda meio cheio
Na outra um cigarro apagado

Na frente dela mil pessoas
Do seu lado alguém que parecia não saber quem era
E dentro dela um uma dose e uma vontade imensa
De bater na porta dele e dizer como se sentiu sozinha